OPINIÃO: A NÃO SELECÇÃO DE BADY MAPUNGA NO “FESTAS DA CIDADE” LEVANTA DEBATE SOBRE A VALORIZAÇÃO DOS TALENTOS LOCAIS
O Portal Caála Line considera positiva a crescente mobilização da sociedade caalense em defesa e valorização dos seus artistas. O caso da não selecção da actuação de Bady Mapunga no espectáculo “Festas da Cidade”, produzido pela Unitel, voltou a colocar em discussão a presença dos talentos locais em grandes eventos realizados no município.
É importante, antes de qualquer crítica, distinguir responsabilidades. Embora o espectáculo esteja associado às festividades da cidade, a organização e produção do evento, segundo as informações disponíveis, são da responsabilidade da Unitel, e não da Comissão Organizadora das Festas da Cidade.
Neste contexto, a selecção dos artistas que integram o cartaz entre eles Delcio Huambo, Euclas Faray e Florêncio Handanga deverá ser entendida como uma decisão da produção do espectáculo. O Portal Caála Line entende que defender os artistas locais não significa necessariamente responsabilizar quem não tem competência directa sobre a selecção artística.
Ao mesmo tempo, consideramos legítimo que a comunidade questione os critérios utilizados para a escolha dos artistas, sobretudo quando existe um movimento crescente de valorização da produção cultural da Caála. Bady Mapunga tem vindo a construir o seu percurso artístico e a conquistar atenção do público através das plataformas digitais. A sua recente produção “A Vida Dá Voltas”, com participação de Jira Bomba, alcançou mais de 1.869 visualizações no YouTube nas primeiras 24 horas, demonstrando que existe público interessado no trabalho do artista.
Por isso, entendemos que o debate mais produtivo não deve ser apenas “por que Bady não foi escolhido?”, mas também: Quais são os critérios utilizados pelas grandes produtoras para seleccionar artistas locais para os seus eventos? Essa pergunta pode abrir espaço para um diálogo mais sério entre produtores, artistas, promotores culturais e comunidade.
É de louvar a forma como a intervenção social da Caála tem demonstrado cada vez mais união quando o assunto é a valorização dos talentos locais. Contudo, precisamos transformar essa indignação em organização, diálogo e profissionalização. Os nossos artistas precisam de produzir, promover as suas obras, fortalecer as suas equipas de gestão, criar portfólios profissionais e estabelecer relações com produtoras e promotores de eventos. As instituições e empresas, por sua vez, também podem desempenhar um papel importante na criação de oportunidades para os talentos das comunidades onde realizam as suas actividades.
O Portal Caála Line defende a valorização dos artistas da Caála, mas também defende uma discussão baseada em factos, responsabilidades e diálogo. A não selecção de Bady Mapunga pode ser uma oportunidade para levantar uma questão maior: como fazer com que os talentos da Caála estejam cada vez mais preparados e presentes nos grandes palcos? Porque valorizar os nossos artistas não deve acontecer apenas quando ficam de fora. Deve ser um trabalho contínuo.

